
Medo é talvez o maior limitante emotivo da nossa espécie.
Fora as tretas, toda a gente sabe quando está a sentir medo, o objecto desse medo e porque é que o está a sentir. Isto no dito medo normal não incluindo o medo a palavras grandes, de igrejas, de jantares ou nuvens.
Sinceramente, a lista de fobias em constante crescimento que volta e meia aparece numa revista ou noutra é uma anedota.
Ai eu tenho medo de falhar - Kakorrhaphiophobia. Sim, acabamos de descobrir uma patologia comum a todo o ser humano.
Ai eu tenho medo de terramotos e tornados - Lilapsophobia.
Ai eu tenho medo da dor. - Algiophobia
Ai eu tenho medo de uma doença cerebral - Meningitophobia.
Enfim, já agora eu teria além destas, Apiphobia e Electrophobia, respectivamente abelhas e electricidade. Considero os meus receios racionais na medida que sofri um ataque palpebral repito na pálpebra, de uma abelha sem motivo nenhum e sou extremamente proprícia à condução de electricidade mesmo que a sensação que me é oferecida não seja do meu agrado.
Tenho medo porque sei o possível desfecho e sei que é mau e não quero.
O medo protege-nos e nós queremos isso, é um luxo dos tempos de hoje. Se o Homo Erectus tivesse o medinho racional de ser comido pelos animais, não comia ele e chapéu para nós.
O Homo Sapiens Sapiens só conhece esta situação envolve risco = medo.
Ninguém gosta que o pior aconteça, seja de se magoar, de ficar doente, de ficar incapacitado, de morrer. Mas estes não são os medos que nos caracterizam e que nos corroem e provocam involução a meu ver.
Nós facilmente nos atiramos para o chão para receber uma bola, andamos à chuva, fumamos e aceleramos e fazemos piões mas um convite para jantar, uma candidatura a um emprego que ambicionamos, um desabafo sincero, uma partilha de uma ideia nossa,um reconhecer que erramos, uma exposição dos nossos gostos e orientações, o novo e desconhecido, estes sim conseguem apertar nos o estômago.
Tudo em nome da nossa "segurança". Quem é que se pode achar seguro quando sabe que algo o poderia fazer feliz mas não o faz porque também o pode tranformar num farrapo humano?
Que seguro? Está é triste e deprimido e frustrado.
Não intriga como é que nos acobardamos perante possiveis cenários negativos passíveis de intervenção, modulação e aprendizagem e apresentados os irreversíveis e intocáveis nós estamos tranquilamente confortáveis?
Medo é insegurança, é opressão, é frustação, é depressão, é estagnação, é limitante, é atrofio.
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