Tou farta de ouvir irónicas críticas a uma série de bandas de indie rock e pop da actualidade.
Coisas do género "É música para crianças", "Eles usam 2 instrumentos e repetem a batida", "Regem-se pelo básico da música", "Captam a atenção dos leigos em termos musicais"
Tenho a dizer meus amigos que isto me enerva, o que não é muito comum na minha atitude relaxada.
Mas porquê tanta objecção à simplicidade neste mundo? O que é que a infantilidade tem de tão mau assim?
Não vejo qual é o problema de uma música utilizar instrumentos rudimentares, se consegue provocar algum tipo sentimento positivo não pode ser considerada má.
E é que quanto a mim, o indie é o estilo musical que mais interfere com o meu estado de espírito. Transmite me positividade, criatividade, energia, impulsividade e aquela coisa do "tudo é possível".
Imagine-se que uma das bandas incluídas nesta clara guerra à imaginação, Vampire Weekend, só por acaso uma das bandas que mais aprecio.
Não vou dizer que o novo album não parece uma orquestra com trompetes e pandeiretas e que não associei aqui e ali uns sons que me lembraram algumas canções que cantava quando ainda me conseguia esconder atrás da porta...mas não deixam de ser diferentes de tudo o que já ouvi.
E não deixam de me por contente e com vontade de saltar.
Parem de rotular tudo o que é infantil como menos evoluído.
Se nós mantivermos a mente sem fronteiras que temos quando tudo é novo no mundo para nós, o mundo nunca deixará de ser novo para nós.
e pronto agora uma das minhas adoradas sequências.
novo leva a curiosidade que leva a procura que leva a entusiamo que leva a motivação que leva a boa disposiçao que leva a optimismo que leva a felicidade e bem estar no geral.
e reparem que podia ser interrompida em qualquer passo intermediário que continuaria a passar para a recompensa final. :)
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Agente Funerário - Mau não é

É a realidade, são estas horas e esta é a 1º coisa que escrevo num blogue apesar de já saber escrever há 14 anos, nem é bom. É que eu devia explicar o nome, o porquê deste momento e assim não é? hmm não tenho condições ambientais.
Ora temos de admitir que a atitude das pessoas para com alguém que enterra pessoas não é assim muito amistosa, talvez seja normal visto que não é propriamente um agente de viagens e ter de recorrer aos seus serviços é...digamos...chato. Acontece que eu não partilho desta atitude, aliás acho fixe ser Agente Funerário.
Sou sádica? Nao vem pro caso. O facto é que conheço um profissional destes muito bem e adoro tudo o que ele representa.
Introduzindo. Cena de pancadaria em plena estação de Vizela. Mulheres aos gritos. Comentário dele: Morreu alguém? ahahah Não? Então vou pro café"
Sim ele querer queria ser arquitecto, é verdade, mas ficou com o negócio da família. Irrita me casos de talento desperdiçado ( esta dissertação fica pa outra altura) mas não o considero um.
Ele extravazou toda a sua criatividade, habilidade manual, sensibilidade para a Agência fazendo com que fosse impossivel a concorrência abrir as portinhas na zona e tornou a uma das mais conceituadas do Norte.
Viver pro trabalho é deprimente. Ele nao faz isso.
Tanto trabalha às 5 da manhã como as 9 da noite como nao trabalha como passa dias sem dormir, a rotina dele é nao ter rotina e no meio disto tudo ele é le Bon Vivant, dos verdadeiros.
E com isto pretendo
Bom vinho. Charuto. Aguardente de 15 anos (cuja degustação me fez questão de transmitir). Poesia. Religião. Politica. Filosofia. Conversa. Conversa. Discussão. Teorias. Conversa. Amigos. E Amigos. Poesia. Aguardente.
É impossível nao passar horas a falar com ele e se ao início estranhamos que apareçam na mesa de jantar a inteligência escondida dos pretos e a capacidade que as Mulheres têm de corroer a sanidade de um Homem diariamente com jogos psicológicos que este não tem capacidade de ripostar acabando por usar a primitiva força física ( este especialmente ainda vai dar que falar) depois nao o consegues parar de ouvir, entra na tua cabeça literalmente.
Ele após o 1º dia nunca chama, é sempre chamado e vai, vai com a esposa que vive mais ou menos a vida e o descendente que canta "we no nee no educaxion" e rouba copos de champanhe pra beber de tolada, ah e assim por acaso tem 4 anos.
Ele lida com morte e perda todos os dias e consegue ser a pessoa mais competente que conheço em introduzir e conjugar prazeres em todos os campos do seu quotidiano. Possível?
Ele não teme, não reprime, não desilude, não desanima, não se priva, nunca.
Ele atira-se, experimenta, demonstra, ele cultiva-se e faz o que mais gosta, sempre.
É o que eu digo, depois disto, dá para achar mau ser cangalheiro? Opa não
P.S Não é que seja de relevância mas...
Escrito com 1 copo de aguardente e 1 bacardi em circulação impingidos pelo alvo deste texto.
Fiz 20 anos ontem x)
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