domingo, 31 de julho de 2011


The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a common place thing but burn burn burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes "Awwww!"


"On the road" Jack Kerouac

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Unless you love, your life will flash by








Mesmo sentindo-me totalmente inapta para isso, vou fazer uma ligeira emancipação a nível cinematográfico. "The Tree of Life" não pode ser considerado uma história, a sequência de acontecimentos, o ínicio-meio-fim seja meio-fim-ínicio, tudo isso pode ser esquecido, descurado, confundido, o que fica mesmo é o nosso eu historiado. Eu vivi, revivi e previ vida com este filme. Na duração deste conseguiram cruzar-se em mim diálogos com fundos emotivos tão díspares... houve decisões insconscientes, surgiram desejos e ambições que nunca tinham sido explorados. Eu via-me encantada com coisas e pensava "Raios, eu tenho isto no mundo em meu redor todos os dias e raramente me sinto assim."



Na verdade, ainda há tanta coisa que eu não aprecio ou deixei de apreciar condignamente e porquê? Quando é que perdi a inocência e percebi que coisas más me podiam acontecer mesmo que não fosse justo? A ingenuidade que perdi, o calculismo que ganhei para me defender do mundo... Defesa vã, ínutil e provavelmente limitante e atrofiante.



No ínicio são-nos apresentados dois caminhos, Graça e Natureza, estes só voltaram de forma consciente ao meu pensamento no final e aí até os associei a alguns percursos de vida de pessoas que conheço, mas no fundo raramente pensamos em que percurso estamos e se é onde deveriamos estar. Eu não sei em qual estou mas desconfio que a experiência orgânica que me proporcionou esta obra-prima é bem capaz de ter desvastado algum solo à minha frente.




( Um aparte a esta análise sentimental, as interpretações são fantásticas, a forma como está filmado é brilhante, Terrence Malick não sei como é que isto te surgiu mas definitivamente invejo a forma como vês o mundo. )

terça-feira, 19 de abril de 2011





A tranquila e modesta sensação de que estamos a fazer algo que poderíamos fazer para sempre, um eterno ritual sem quês nem porquês é uma coisa que me consegue realmente preencher, ou diria até insuflar.

domingo, 17 de abril de 2011



Baloiço no jardim ao fim da tarde ouvindo ao longe a marcha fúnebre da procissão do Enterro do Senhor é ideal para um relaxamento profundo. Podemos pensar em coisas tão variadas como o porquê do nanismo do Carvalho que plantamos no 7ºano ( ainda é mais baixo que eu) e no que realmente precisa um ser humano. Podemos relativizar o que é bom, o que é mau. Podemos concluir que não há destino e que há coincidências que existem porque as procuramos. Podemos calcular que fazemos, somos, damos uns 47% do que somos capazes e que mais de 99% do nosso tempo é passado a fazer coisas que qualquer outra pessoa faz. Podemos aceitar momentaneamente que ser ingenuamente expectante é mau. E enfim podemos achar que está frio, temos fome e que a principal urgência é verificar se a Mãe está preparar o jantar e assistir a tesourinhos deprimentes com a irmã.

domingo, 10 de abril de 2011

Porquê verter água dos olhos?




Quando se está com uma insolação é chato espetar a testa nas portas dos armários porque se fica com a ligeira sensação que se tem um pneu inchado em vez de uma cabeça. Em dias como este que em que me sinto muito molestada fisicamente acabo sempre por fazer a típica perrice do "fooooooogoooo" em que fico com as lágrimas nos olhos mas mesmo puxando essas lágrimas teimam em não escorrer. Assim voltei às minha reflexões profundas sobre o acto de chorar.

Sempre achei chorar uma coisa bastante desenquadrada; porque raio é que o nosso corpo com aquele funcionamento exemplar, todo justificado e propositado, expulsa água quando sujeito a uma emoção forte? A água expulsa nos olhos é supostamente para expusar poeiras e particulas protegendo-os então porquê estar ligada de certa forma ao nosso centro emotivo?



Sejam injustiças, medos, situações extremamente cómicas, reencontros, desilusões, dor física, ataques raivosos, e por aí fora...


A teoria que desenvolvi enquanto comia estrelitas foi que o choro poderia ser um mecanismo de aviso do nosso corpo, do tipo "pára com isso seja o que for que esta emoção é demasiado pesada para o teu corpo", as pessoas sentiam a cara molhada então começavam a acalmar-se e a tentar acalmar e pensar noutras coisas.


5 minutos depois a teoria tinha os seguintes contras:

- há pessoas que andam mesmo tristes ao ponto de pensar acabar consigo mesmas e nem choram muito.

- é esquisito pensar que chorar a rir possa ser uma emoção nociva para o corpo

- no tipo de choro ao qual chamo sufocado, sentir a cara molhada não faz acalmar aliás este pode prolongar-se durante horas.

-as pessoas que quase não choram teriam então um sistema nervoso mais resistente às emoções fortes.


Esta teoria possivelmente será abandonada por mim senão a conseguir aperfeiçoar. Não aceito o sítio comum "lavar a alma", se há um problema o problema fica lá e na maior parte das vezes nen há problema em concreto. Também não aceito que seria para demonstrar aos agressores que estavamos com a visão embaceada e portanto eramos inofensivos.


Eu sei que varia muito de pessoa para pessoa, que nem todos têm choro mensal e se emocionam só por repararem que uma pessoa está a conter-se para não chorar, que a mesma coisa acarreta diferente carga emocional para cada um, que os bébés têm diferentes choros para mostrar as suas necessidades, que os homens choram menos, e essas coisas...


Mas a questão aqui é o porquê? Porquê esta demonstração fisiológica associada a algo não concreto, a algo emotivo? Para quê? E mais! A composição das lágrimas de emoção é completamente diferente das de alergia e de areia no olho e somos os únicos animais que choram.


Parece algo paranóico escrutinar esta temática mas eu penso... se isto não tem explicação poderá ser ligado a outras coisas não explicadas e pesar em temáticas muito controversas.

Porque o inexplicado enquanto não é explicado é sempre místico.

domingo, 13 de março de 2011

Caviar



-Anaa, vais provar o caviar que comprei por 2 euros no IKEA. Até agora ninguém gostou, até quero ver o que achas.

- Está bom, até tenho curiosidade, com tostas?

- Claro, não consegues comer isso assim. Olha tens laranja e preto, eu ja provei os dois mas eles só o laranja.

- Está bem...

(.....) (...intervalo de tempo em que fiquei feliz porque nunca tinha imaginado este cenário para a minha prova do caviar e eu gosto de imprevisibilidade)

- Não é mau...

- Oh Ana és um máximo.

- Acho que estou a ter um dejá vu, já comi isto numa vida passada.

- É porque eras rica. Qual é o melhor?

(Momento em que pensei em como possuir uma fortuna se poderia enquadrar no quadro de violação e atropelamento que tinha da minha vida anterior.)

- Gosto dos dois, vou comer mais para ver a diferença.

- Come come, vais ficar com moca!

- Moca? com caviar?

- Então Ana se o chocolate dá! (referente a episódio passado em que eu e a Maria ficamos mocadas com chocolate 99%)

- (tempo passado a relembrar e a rir deste episódio)

- Vês? Já estás a ficar mocada!

- Acho que gosto mais do preto mas não me apetece mais.

- É o preto é mais real.

- Pois eu tenho ideia que aquilo é meio acinzentado.

(Ana resolve analisar o rótulo do caviar)

- Olha Mi, o preto é preto porque é de algas e o outro é de um peixe qualquer.

-Ah está bom.

- Mi...Quando abriste isto?

- Há 2 semanas quando comprei.. porquê?

- Diz aqui conservar refrigerado...

- Ah.. diz? Ai não sabia..

- Não faz mal, não há-de fazer mal, são só ovas de peixe sueco estragadas ...

(Ataque de riso da Maria daqueles em que não consegue falar seguida da minha própria pessoa)

- Olha Ana come tostas com atum ou com paté de pato.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Actividades solitárias e auto-possessividade


Consigo gostar tanto de estar sozinha.
É que na verdade estou verdadeiramente poucas vezes num local sem ninguém. Lembro-me que só estive sozinha em casa pela primeira vez quando entrei pro ciclo. Esses tempos de solidão e liberdade extrema eram basicamente usados para libertar o talento para o mundo do espectáculo reprimido em mim. O "Ana vais ficar um pouco sozinha, não atendas a campainha nem telefones desconhecidos" era entendido pelo meu pequeno eu como "hoje quando eu sair vais dar um concerto de multivariedades e podes usar a casa toda como palco e os sofás também". Como eu era feliz a saltar nos sofás. Lembro-me que a primeira vez que a minha mãe e depois minha irmã me apanharam a meio do concerto foram um pouco traumatizantes para ambas. Um concerto dura normalmente 2horas e era mais ou menos este tempo que gostava de ficar sozinha, depois começava a ligar à minha mãe e entrava em modo vegetal absorvendo perigosamente qualquer conteúdo televisivo no ar no momento.
Desde que tenho uma casa que não é dos meus pais, tenho-me apegado ao tempo "não está mais ninguém aqui e não vai estar" muito rapidamente. Tantos fins de semana que já fiquei em Coimbra porque tinha razões muito importantes e compromissos inadiáveis e queria estar sozinha. As minhas actividades solitárias têm diversificado e complexado ( talvez não ) embora possa por vezes ocorrer alguns mini concertos.
É impossível não nos habituarmos a um tempo em que podemos simplesmente estar a olhar fixamente para um sítio indefinidamente e ninguém vai dizer "acorda" ou "estás a olhar para onde?". Em que podemos estar com o pensamento na Rússia e poder ir à Austrália e ter estadia indeterminada e voltar sempre que quisermos.
Podemos deitar-nos no chão e fazer ruídos, comer fiambre com gelado, vestir uma camisola nas pernas, ver televisão de pernas pro ar, tentar determinar qual é a expressão mais feia que conseguimos fazer, ficar com a boca suja de ketchup e não limpar...Ninguém verá, comentará, julgará, questionará e ninguém saberá se nós não o quisermos.
Bem podem dizer que a intimidade máxima que teremos com uma pessoa é alcançada quando estando com ela conseguimos ser o que somos quando estamos sozinhos. Eu não quero que alguma vez isto me aconteça, quero uma parte de mim que seja mesmo só minha sempre.
Sou auto-possessiva, é isso.