
Mesmo sentindo-me totalmente inapta para isso, vou fazer uma ligeira emancipação a nível cinematográfico. "The Tree of Life" não pode ser considerado uma história, a sequência de acontecimentos, o ínicio-meio-fim seja meio-fim-ínicio, tudo isso pode ser esquecido, descurado, confundido, o que fica mesmo é o nosso eu historiado. Eu vivi, revivi e previ vida com este filme. Na duração deste conseguiram cruzar-se em mim diálogos com fundos emotivos tão díspares... houve decisões insconscientes, surgiram desejos e ambições que nunca tinham sido explorados. Eu via-me encantada com coisas e pensava "Raios, eu tenho isto no mundo em meu redor todos os dias e raramente me sinto assim."
Na verdade, ainda há tanta coisa que eu não aprecio ou deixei de apreciar condignamente e porquê? Quando é que perdi a inocência e percebi que coisas más me podiam acontecer mesmo que não fosse justo? A ingenuidade que perdi, o calculismo que ganhei para me defender do mundo... Defesa vã, ínutil e provavelmente limitante e atrofiante.
No ínicio são-nos apresentados dois caminhos, Graça e Natureza, estes só voltaram de forma consciente ao meu pensamento no final e aí até os associei a alguns percursos de vida de pessoas que conheço, mas no fundo raramente pensamos em que percurso estamos e se é onde deveriamos estar. Eu não sei em qual estou mas desconfio que a experiência orgânica que me proporcionou esta obra-prima é bem capaz de ter desvastado algum solo à minha frente.
( Um aparte a esta análise sentimental, as interpretações são fantásticas, a forma como está filmado é brilhante, Terrence Malick não sei como é que isto te surgiu mas definitivamente invejo a forma como vês o mundo. )
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