sábado, 20 de novembro de 2010

E lá fomos à Lapa


No bonito dia de ontem fomos à Senhora da Lapa, o que acontece todos os anos em Outubro ou Novembro. Segundo a minha mãe o único ano que não fomos foi o pior ano familiar que tivemos, não se admirem, a minha mãe é crédula ao ponto de me ligar no fim de um exame a perguntar:
-"Correu bem?"
Não, isso era o normal.
-"Posso apagar as velas?" Sim, é isto. E de certa forma prefiro essa pergunta.

Era costume irmos com amigos do meu pai, um grupo grande mas ja há alguns anos que vai só o quarteto.
Nunca percebi muito bem porque vamos lá mas até é divertido, isto porquê?

A razão a que recorro quando este hábito é questionado consiste em:
"É pelo javali. Adoro javali e só como lá"

Não deixa de ser verdade mas agora também posso comer na casa da Maria Luís. A Izinha para ser bem descrita daria outro post assim fico-me dizendo que é um ser humano à qual não associo um animal e tem um pai caçador.

Javali é mesmo bom mas há outras razões.
Não sei se sabem mas a Lapa é um sítio religioso cheio de peculariedades.
Começando pela lenda, um miúda muda encontrou a imagem da Nossa Senhora numa gruta, levou-a para casa, a Mãe achou que aquilo nao valia um esterco e ia deitá-la pra fogueira, então a miuda falou para defender a imagem.

A Igreja tem a tal gruta dentro, a parte engraçada é que para sairmos da gruta há uma passagem mesmo estreita entre os rochedos e diz-se que quem não passa lá cometeu pecados muito graves. Pensam vós, o pecado da gula. Naturalmente mas também já vi diametros corporais a conseguir passar para metade e atravessar o julgamento. A força de vontade é incrível.
Mas isto não acabou, de repente entramos numa sala e está um crocodilo pendurado no tecto que me aterrorizava quando era pequena. Lamento informar que quem nunca viu agora terá apenas oportunidade bem menos emocionante de o ver através de um vidro e ao nível dos seus joelhos. Já não há impacto.

O que faz o crocodilo na igreja?
Versão 1: Uma senhora ia a descer a "Cova do Lagarto" e foi atacada por um crocodilo ou sardão gigante. Como só tinha o novelos de lá do saco, lembrou-se e atirou-lhe com eles. O crocodilo comeu aquilo e ficou tão empanturrado que ficou inofensivo. Então a senhora puxou os fios restantes e esganou-o.

Versão 2: Um caçador da Índia foi atacado por um crocodilo, ia morrer só que pediu ajuda á Senhora da Lapa e teve forças para o matar. Como agradecimento levou a pele à Senhora da Lapa.

Em termos de credibilidade talvez seja melhor a 2 tirando o pormenorzinho de ter sido na Índia. Mas tenho inveja de quem inventou a 1.

Isto e o javali chegam para ser divertido ir à Lapa agora juntando preciosidades como:
- O meu senso de humor selectivo ao ponto de achar piada a coisas como "Fui tomar café com o Carioca"
- Resoluções de almoço que proclamaram a implantação de jantares quinzenais de aproximação familiar.
- Explicações meteorologicas e colunas ascendentes e descendentes da minha irmã.
- A aposta decidida do meu pai em que uma mesa de membros de uma confraria da Murtosa era sem qualquer dúvida uma reunião de Padres.
- Indigações se existe alguém no mundo que já foi salvo pelas rampas de emergência das estradas inclinadas. (confesso ter um inconsciente desejo de experimentá-las)
- Viagem de regresso, eu com o poder do volante, 3 desvios, sandwiche com camião gigante e autocarro, chuva torrencial com granizo, e IP4 ( "olhem isto não é a estrada mais perigosa de Portugal?".
- Banda sonora consistiu apenas na repetição dos comentários.
Eu- Está tudo controlado. e Ai agora estou com medo.
Pai- Xiu. Mais devagar. Trava.
Mãe- Ahahahaha Aahahaha Aaahahahaha.
Sara- Está um dia muito feio para eu morrer fogo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mayakovsky-Frank O’Hara

My heart’s aflutter!
I am standing in the bath tub
crying. Mother, mother
who am I? If he
will just come back once
and kiss me on the fae
his coarse hair brush
my temple, it’s throbbing!

then I can put on my clothes
I guess, and walk the streets.

I love you, I love you,
but I’m turning to my verses
and my heart is closing

like a fist.
Words! be
sick as I am sick, swoon,
roll back your eyes, a pool,
and I’ll stare down
at my wounded beauty
which at best is only a talent
for poetry.

Cannot please, cannot charm or win
what a poet!
and the clear water is thick

with bloody blows on its head
I embraced a cloud,
but when I soared
it rained.

That’s funny! there’s blood on my chest
oh yes, I’ve been carrying bricks
what a funny place to rupture!
and now it is raining on the ailanthus
as I step out onto the window ledge
the tracks below me are smoky and
glistening with a passion for running
I leap into the leaves, green like the sea

Now I am quietly waiting for
the catastrophe of my personality
to seem beautiful again,
and interesting, and modern.

The country is grey and
brown and white in trees,
snows and skies of laughter
always diminishing, less funy
not just darker, not just grey.

It may be the coldest day of
the year, what does he think of
that? I mean, what do I? And if I do,
perhaps I am myself again.