terça-feira, 19 de abril de 2011





A tranquila e modesta sensação de que estamos a fazer algo que poderíamos fazer para sempre, um eterno ritual sem quês nem porquês é uma coisa que me consegue realmente preencher, ou diria até insuflar.

domingo, 17 de abril de 2011



Baloiço no jardim ao fim da tarde ouvindo ao longe a marcha fúnebre da procissão do Enterro do Senhor é ideal para um relaxamento profundo. Podemos pensar em coisas tão variadas como o porquê do nanismo do Carvalho que plantamos no 7ºano ( ainda é mais baixo que eu) e no que realmente precisa um ser humano. Podemos relativizar o que é bom, o que é mau. Podemos concluir que não há destino e que há coincidências que existem porque as procuramos. Podemos calcular que fazemos, somos, damos uns 47% do que somos capazes e que mais de 99% do nosso tempo é passado a fazer coisas que qualquer outra pessoa faz. Podemos aceitar momentaneamente que ser ingenuamente expectante é mau. E enfim podemos achar que está frio, temos fome e que a principal urgência é verificar se a Mãe está preparar o jantar e assistir a tesourinhos deprimentes com a irmã.

domingo, 10 de abril de 2011

Porquê verter água dos olhos?




Quando se está com uma insolação é chato espetar a testa nas portas dos armários porque se fica com a ligeira sensação que se tem um pneu inchado em vez de uma cabeça. Em dias como este que em que me sinto muito molestada fisicamente acabo sempre por fazer a típica perrice do "fooooooogoooo" em que fico com as lágrimas nos olhos mas mesmo puxando essas lágrimas teimam em não escorrer. Assim voltei às minha reflexões profundas sobre o acto de chorar.

Sempre achei chorar uma coisa bastante desenquadrada; porque raio é que o nosso corpo com aquele funcionamento exemplar, todo justificado e propositado, expulsa água quando sujeito a uma emoção forte? A água expulsa nos olhos é supostamente para expusar poeiras e particulas protegendo-os então porquê estar ligada de certa forma ao nosso centro emotivo?



Sejam injustiças, medos, situações extremamente cómicas, reencontros, desilusões, dor física, ataques raivosos, e por aí fora...


A teoria que desenvolvi enquanto comia estrelitas foi que o choro poderia ser um mecanismo de aviso do nosso corpo, do tipo "pára com isso seja o que for que esta emoção é demasiado pesada para o teu corpo", as pessoas sentiam a cara molhada então começavam a acalmar-se e a tentar acalmar e pensar noutras coisas.


5 minutos depois a teoria tinha os seguintes contras:

- há pessoas que andam mesmo tristes ao ponto de pensar acabar consigo mesmas e nem choram muito.

- é esquisito pensar que chorar a rir possa ser uma emoção nociva para o corpo

- no tipo de choro ao qual chamo sufocado, sentir a cara molhada não faz acalmar aliás este pode prolongar-se durante horas.

-as pessoas que quase não choram teriam então um sistema nervoso mais resistente às emoções fortes.


Esta teoria possivelmente será abandonada por mim senão a conseguir aperfeiçoar. Não aceito o sítio comum "lavar a alma", se há um problema o problema fica lá e na maior parte das vezes nen há problema em concreto. Também não aceito que seria para demonstrar aos agressores que estavamos com a visão embaceada e portanto eramos inofensivos.


Eu sei que varia muito de pessoa para pessoa, que nem todos têm choro mensal e se emocionam só por repararem que uma pessoa está a conter-se para não chorar, que a mesma coisa acarreta diferente carga emocional para cada um, que os bébés têm diferentes choros para mostrar as suas necessidades, que os homens choram menos, e essas coisas...


Mas a questão aqui é o porquê? Porquê esta demonstração fisiológica associada a algo não concreto, a algo emotivo? Para quê? E mais! A composição das lágrimas de emoção é completamente diferente das de alergia e de areia no olho e somos os únicos animais que choram.


Parece algo paranóico escrutinar esta temática mas eu penso... se isto não tem explicação poderá ser ligado a outras coisas não explicadas e pesar em temáticas muito controversas.

Porque o inexplicado enquanto não é explicado é sempre místico.