quarta-feira, 23 de junho de 2010

Jaula Humana


Medo é talvez o maior limitante emotivo da nossa espécie.

Fora as tretas, toda a gente sabe quando está a sentir medo, o objecto desse medo e porque é que o está a sentir. Isto no dito medo normal não incluindo o medo a palavras grandes, de igrejas, de jantares ou nuvens.
Sinceramente, a lista de fobias em constante crescimento que volta e meia aparece numa revista ou noutra é uma anedota.
Ai eu tenho medo de falhar - Kakorrhaphiophobia. Sim, acabamos de descobrir uma patologia comum a todo o ser humano.
Ai eu tenho medo de terramotos e tornados - Lilapsophobia.
Ai eu tenho medo da dor. - Algiophobia
Ai eu tenho medo de uma doença cerebral - Meningitophobia.

Enfim, já agora eu teria além destas, Apiphobia e Electrophobia, respectivamente abelhas e electricidade. Considero os meus receios racionais na medida que sofri um ataque palpebral repito na pálpebra, de uma abelha sem motivo nenhum e sou extremamente proprícia à condução de electricidade mesmo que a sensação que me é oferecida não seja do meu agrado.
Tenho medo porque sei o possível desfecho e sei que é mau e não quero.

O medo protege-nos e nós queremos isso, é um luxo dos tempos de hoje. Se o Homo Erectus tivesse o medinho racional de ser comido pelos animais, não comia ele e chapéu para nós.
O Homo Sapiens Sapiens só conhece esta situação envolve risco = medo.

Ninguém gosta que o pior aconteça, seja de se magoar, de ficar doente, de ficar incapacitado, de morrer. Mas estes não são os medos que nos caracterizam e que nos corroem e provocam involução a meu ver.
Nós facilmente nos atiramos para o chão para receber uma bola, andamos à chuva, fumamos e aceleramos e fazemos piões mas um convite para jantar, uma candidatura a um emprego que ambicionamos, um desabafo sincero, uma partilha de uma ideia nossa,um reconhecer que erramos, uma exposição dos nossos gostos e orientações, o novo e desconhecido, estes sim conseguem apertar nos o estômago.
Tudo em nome da nossa "segurança". Quem é que se pode achar seguro quando sabe que algo o poderia fazer feliz mas não o faz porque também o pode tranformar num farrapo humano?
Que seguro? Está é triste e deprimido e frustrado.
Não intriga como é que nos acobardamos perante possiveis cenários negativos passíveis de intervenção, modulação e aprendizagem e apresentados os irreversíveis e intocáveis nós estamos tranquilamente confortáveis?

Medo é insegurança, é opressão, é frustação, é depressão, é estagnação, é limitante, é atrofio.

sábado, 19 de junho de 2010

O real Azar não trapalhão

Não acredito em sorte e azar. Acho que o pensamento positivo atrai coisas positivas mas isso é um pouco lógico. Imaginar algo a acontecer faz com que involuntariamente tomemos atitudes para que isso aconteça porque queremos e sabemos exactamente o que queremos.

Ás vezes exagero e acho que tou com azar porque bato com o dedão no pé na esquina da cama e depois vou a tentar por o telemóvel a carregar e o carregador sai da ficha e eu tento mas não acerto nos buracos e entretanto o telemóvel cai ao chão e abre. E resolvo estas situações, viro-me prendendo o fio do carregador então o telemóvel volta a cair e o carregador a sair da ficha. Mais, ainda há tempo para bater com a cabeça na estante.

É muito exagerado achar isto azar....

Azar é quando várias situações negativas com probabilidade ínfima de acontecer acontecem e com o agravante de serem pouco espaçadas no tempo ou mesmo numa bela sequência. Acrescento que essa probabilidade não pode aumentar muito com a trapalhice/descoordenação motora de cada um - aqui têm o que penso para mim quando acho que sou azarenta.

Azar? Azar seria se no dia seguinte conseguisse deixar cair a chave de casa na frincha do chão do elevador ficando esta perdida para sempre num poço fundo.
Vá, se a única pessoa com quem divido a casa se tivesse esquecido desta em casa apesar disso nunca acontecer é que era mau.
E se fossem 4 da manhã e ainda tivesse intenções de estudar? UI.

Pois, isto aconteceu.

Não é de admirar que já em casa (e isto porque existem bons samaritanos que sabem subir muros e trepar janelas) com centenas de coisas para estudar uma pessoa se ponha a ouvir a banda sonora do Moulin Rouge.

Pronto, pode não parecer muito a propósito mas tudo tem ligação, acreditem.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

encardida cara lavada





Ás vezes a minha cabeça proporciona coisas engraçadas.

Bem estava eu a lavar a cara, eu gosto de lavar a cara, não é só um acto de higiene mas não me quero perder por aí.

O que aconteceu foi que, de repente, ao olhar a minha limpa face lembrei-me da minha avó que me dizia que era uma pessoa de cara lavada porque não escondia nada, mostrava-se tal como era e agia conforme.

Depois surjiu me na imagem alguém a dizer "Ai ele veio ter comigo com a maior cara lavada, não tens noção".

No momento seguinte outro take, agora com uma moça. "Andar na rua de cara lavada? Ui nunca"

Em 30 segundos a minha cara livre de sujidade levou me a uma inevitável e inesperada reflexão.

Ora uma cara lavada consegue estar associado a autenticidade, transparência e sinceridade; a "lata", insensatez e arrogância e ainda a vaidade e falta de primo pelo aspecto físico.

Isto tem piada.
Será que podemos procurar uma lógica nisto tudo?

A sinceridade é muitas vezes confundida com arrogância e "lata".
A autenticidade é insensata para muitos.
A vaidade não se enquadra porque é no sentido estrito mas se afundarmos vem a sobrevalorização do aspecto físico, a síndrome da imagem que passamos e o teatro de personalidade que isso acarreta.
Cá está. Falta de transparência e autenticidade.

Consegui mas sim foi com uma escavadora das grandes.

Enfim até vale a pena pensar nisto durante a higiene facial.

terça-feira, 15 de junho de 2010



Há dias em que por acharmos que havia um comboio às 9.30 e afinal só havia às 11 horas ficamos com tempo em branco, aquele tempo que supostamente nunca imaginaríamos que iamos ter livre porque não era suposto mas ele aparece e pronto.
Esse tempo irrita mas é bom porque não foi previsto e com os meios que dispomos no momento vamos espontaneamente preenchê-lo.

É nestes preenchimentos espontâneos imprevistos que surge mais de nós, do que somos e como estamos.

Ahah Filosofia.

segunda-feira, 14 de junho de 2010


"Change is a wonderful thing. Look, you know how subatomic particles don't obey physical laws? They act according to chance. chaos. coincidence. They ran into each other in the middle of the universe somewhere and bang! Energy! We're the same as that. That's the great thing about the universe: unpredictable. That's why it's so much fun."


Tony x)

Opinião bem formulada sobre companhias aéreas de low cost

O tenebroso chiar


Um barulho muito forte invadia a despensa. Era vento, mesmo forte, ah e agora estava a chiar, de uma maneira terrivel nunca antes ouvida.

Se calhar é um mini furacão, vou sair daqui - pensa Ana Sofia reflectindo sobre quanto o clima tem poder sobre ela.

Até que algo surge, uma luz. Sim, a cafeteira está ao lume há 20 minutos.


Acontece.


domingo, 6 de junho de 2010


Sempre achei que ser criativa e imaginativa era um espécie de benção.

Admirava todos aqueles que criavam algo que nunca tivesse sido visto, que não se assemelhasse com nada do mundo real. Seja os artistas em geral com o abstrato, com aquelas obras de arte moderna que supostamente os leigos nao entendem como um ferro dos antigos com pregos espetados que representavam coisas espectaculares. Os que só tinham jeito para pintar, pintavam o que viam e acrescentavam elementos para o por mais bonito, feio, triste, alegre, e assim.

Achava, ingenuamente, que os grandes escritores eram os que conseguiam criar um mundo de raiz e fazê-lo ter sentido e depois havia os medríoces que exploravam o quotidiana e o mundo que temos.

Já não penso assim.

Retratar o que nos rodeia seja num pintura, escultura, história, poema, filme condignamente é de imensuravel valor.

Condignamente é quase impossível definir admitamos mas o que eu quero dizer é tipo representar a realidade fazendo com que ela tenha exactamente o valor que tem e com que transmita exactamente o que tem de transmitir, com a bela complexidade que lhe é inerente. Sim, porque não me venham com a simplicidade, simplicidade não é realidade, associar simplicidade associado ao mundo e todas as suas conexões é impossível.

É retratar as coisas não como todos as observam no geral nem como o artista observa nem de forma a que quem ve veja o que ele queria que vissem.

Acho que o magnifico aqui e que quase ninguém fez é fazer o retrato do real que chegue a cada um de nós individualmente exactamente como deveria chegar e assim revelando parte da nossa "relação global". (Acabei de inventar um conceito)

Já não sei será mais desafiador e evoluído, se a criação de um mundo novo ou esta transmissão adequada do que temos.



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quarta-feira, 2 de junho de 2010


The best lack all convinction, while the worst are full of passionate intensity.

Lamento informar que representar não é falar




-Ai ainda me lembro de quando eras Trolha.

- Trolha não. Pedreiro.

- Ou isso. Olha pra tua fillha, não ves como ela está deprimida, desamparada, desconsoladaaaa, coitadinha.

Telenovelas TVI, uma nova que tem como protagonista uma suposta rapariga bicho do mato. E como será que eles criaram tal personagem? Vestiram uma rapariga com saias subidas e compridas no corte clássico, tops de alças simples, e casaquinho de malha simples direitos (estilo que por acaso é uma das modas este ano) e puseram na a andar à macaca e a apontar uma espingarda a todos os que cruzam a sua selva.

Cada vez mais reparo que tudo nas telenovelas tem o objectivo de esconder a inexistência de talento para a representação por parte dos participantes.


Sim, o objectivo primário é criar histórias encantadoras que as pessoas seguem, fazendo crescer nelas o entusiasmo que a própria vida teima em não lhes fornecer mas isto eu já nem critico.


Da próxima vez que virem uma novela seja de origem portuguesa ou brasileira reparem nas seguintes situações.


- Não há silêncios quando estão em cena as personagens.


- Os sentimentos são todos descritos detalhadamente. "Estou deprimido" e "Estou mesmo bem disposto", "Não ando a conseguir olhar te nos olhos"


- Jogo de olhares quase não existe.


-Não param sentados nem de pé a conversar, movem se de um lado pro outro constantemente (este caso mais nas portuguesinhas).


- Se alguém está sentado e entra uma pessoa na divisão este levanta-se.


- Personagens histéricas são predominantes.


- Não há meios termos nem mais ou menos ou seja não há normalidade.


- A maneira geral de demonstrar paixão é arrancar a roupa muito rápido e com força. ( e nem aí permanecem em silêncio)


Reparem nisso. Isto tudo é porquê? Porque os actores não sabem representar, não conseguem transmitir nada com expressões e linguagem corporal portanto têm de tar sempre a falar e a mexer se que é o que é fácil.


Por conseguinte, ao quererem transmitir tudo no diálogo tornam-se todos histéricos e incapazes da tal coisa vulgar e ao fim de contas real.


Todas as personagens têm de ter um traço único de personalidade bem marcado que as defina, ou são más ou são boas ou são felizes ou uns coitadinhos, ou têm o casamento perfeito ou estão a divociar-se, ou são puritanas ou umas badalhocas. É é assim.

O triste é que como é sempre assim e as pessoas gostam assim, isto não tende a melhorar. A qualidade dos nossos actores nunca será explorada, ja não há distinção. E pensar que esta peste já está a passar para o mundo cinematográfico, assusta me um pouco.


Mas vá, uma prece para que os grandes monstros da realização cinematográfica perdurem e "procriem".