
Sempre achei que ser criativa e imaginativa era um espécie de benção.
Admirava todos aqueles que criavam algo que nunca tivesse sido visto, que não se assemelhasse com nada do mundo real. Seja os artistas em geral com o abstrato, com aquelas obras de arte moderna que supostamente os leigos nao entendem como um ferro dos antigos com pregos espetados que representavam coisas espectaculares. Os que só tinham jeito para pintar, pintavam o que viam e acrescentavam elementos para o por mais bonito, feio, triste, alegre, e assim.
Achava, ingenuamente, que os grandes escritores eram os que conseguiam criar um mundo de raiz e fazê-lo ter sentido e depois havia os medríoces que exploravam o quotidiana e o mundo que temos.
Já não penso assim.
Retratar o que nos rodeia seja num pintura, escultura, história, poema, filme condignamente é de imensuravel valor.
Condignamente é quase impossível definir admitamos mas o que eu quero dizer é tipo representar a realidade fazendo com que ela tenha exactamente o valor que tem e com que transmita exactamente o que tem de transmitir, com a bela complexidade que lhe é inerente. Sim, porque não me venham com a simplicidade, simplicidade não é realidade, associar simplicidade associado ao mundo e todas as suas conexões é impossível.
É retratar as coisas não como todos as observam no geral nem como o artista observa nem de forma a que quem ve veja o que ele queria que vissem.
Acho que o magnifico aqui e que quase ninguém fez é fazer o retrato do real que chegue a cada um de nós individualmente exactamente como deveria chegar e assim revelando parte da nossa "relação global". (Acabei de inventar um conceito)
Já não sei será mais desafiador e evoluído, se a criação de um mundo novo ou esta transmissão adequada do que temos.
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