quinta-feira, 17 de junho de 2010

encardida cara lavada





Ás vezes a minha cabeça proporciona coisas engraçadas.

Bem estava eu a lavar a cara, eu gosto de lavar a cara, não é só um acto de higiene mas não me quero perder por aí.

O que aconteceu foi que, de repente, ao olhar a minha limpa face lembrei-me da minha avó que me dizia que era uma pessoa de cara lavada porque não escondia nada, mostrava-se tal como era e agia conforme.

Depois surjiu me na imagem alguém a dizer "Ai ele veio ter comigo com a maior cara lavada, não tens noção".

No momento seguinte outro take, agora com uma moça. "Andar na rua de cara lavada? Ui nunca"

Em 30 segundos a minha cara livre de sujidade levou me a uma inevitável e inesperada reflexão.

Ora uma cara lavada consegue estar associado a autenticidade, transparência e sinceridade; a "lata", insensatez e arrogância e ainda a vaidade e falta de primo pelo aspecto físico.

Isto tem piada.
Será que podemos procurar uma lógica nisto tudo?

A sinceridade é muitas vezes confundida com arrogância e "lata".
A autenticidade é insensata para muitos.
A vaidade não se enquadra porque é no sentido estrito mas se afundarmos vem a sobrevalorização do aspecto físico, a síndrome da imagem que passamos e o teatro de personalidade que isso acarreta.
Cá está. Falta de transparência e autenticidade.

Consegui mas sim foi com uma escavadora das grandes.

Enfim até vale a pena pensar nisto durante a higiene facial.

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