domingo, 31 de outubro de 2010

Espontaneidade e Halloween? Fracassos



Resolvi escrever uma coisa muito muito espontânea e sem objectivo para variar um pouco.

Já falhei. Na verdade já planeei espontaneidade e falta de objectivo e uma pitada de diferença do habitual logo esta incursão já está destinada ao fracasso. Fracasso de processo.

O fracasso é adequado ao dia de hoje, Halloween em Portugal é concerteza um fracasso.
Na passada segunda estava eu a preparar um pequeno jantar de latada em minha casa quando ouço a minha campainha e penso que afinal o mundo ainda tem pessoas bondosas que chegam cedo aos jantares para ajudar a por a mesa e a trazer-me os condimentos. Mas não.
Abri a porta e estava uma figura de estatura pequena em frente a mim, o corpo era de menino mas a cabeça estava substituida por uma caixa rectangular, maior em altura com 5 buracos que deduzi serem correspondentes às feições humanas. Da caixa esburacada saia uma canção infantil, não reconheci qualquer semântica na canção, so digo que é infantil porque era um menino a cantar).
Fiquei um pouco sem reacção, até que ele tira a caixa e eu "ah é Haloween?" e ele "sim". Entretanto outro miúdo aproxima-se , era um gémeo. Talvez por causa disso dei mais valor ao esforço e perguntei "querem dinheiro? ou doces?". Ele "o que quiseres". Fui buscar doces, tentar pelo menos. Ora eu não gosto de gomas, chiclets, rebuçados nem de chocolate doce. Eles rejeitaram as minhas bolachas com framboesa, até fiquei contente, tinha poucas e tenho de guardar pra quando o João vem lá a casa.
Ficaram com a barrinha de cereais Nesquik da Catarina.

Este cenário com uma música "agora é a parte em que todos choram" podia de facto fazer soltar umas lágrimas. Mas se pusessem as gargalhadas finais sinalizadoras de piada também daria para chorar a rir.

É assim quando não conhecemos tradições como Bolinhos e Bolinhós e nem sequer sabemos em que dia é o Halloween.
Estes meninos pelo menos obteram os seus doces mais cedo e segundo a própria tradição da sua terra, é legítimo.
Pronto, Bolinhos e Bolinhós sim, Halloween não. Em Inglaterra também não fazem magustos no dia de S.Martinho.
Até gostava de ser assustada, é emocionante. A minha vizinha assassina louca bem que podia voltar a vir possuidamente com um bastão pra minha porta reclamar do barulho, isso sim é que é bom pro Halloween.
Mas ninguém quer isso, na verdade país está todo excitado porque pode vestir-se de vampiro e ser como o Dudu e a Belinha.
Passei a minha adolescência a pensar que ser vampira era a solução da minha grave dificuldade em lidar com o fim da vida, eu queria ser imortal (e sinto que sou) mas esta solução é muito banalizada e pouco viável. A minha solução irá surgir e eu não vou deixar de existir.

E convenhamos, nem sequer está a trovoar como ontem, os trovões assustam, a vez em que estive mais perto de morrer foi por causa de um trovão. Ontem também estive perto de morrer, achava que tinha uma embolia pulmonar, eu não sou paranoica com estas coisas mas tudo é possível. Depois para chamar a atenção dizia "Sara gostei muito destes anos de vida, queria mais, mas não vai dar". Ela ri-se e depois volta a queixa-se por ter fisionomia igual á Beyoncé. A minha mãe não podia ouvir isto claro, tenho de seleccionar. A segunda situação assustadora de ontem foi realizar que bebo sempre Águas das Pedras Limão de penalty. Não consegui retirar grande conclusão disto, porque é so especificamente as Pedras Limão. A Cola também é doce e tem gás mas não dá. São aquelas inexplicabilidades engraçadas. Há poucas Pedras Limão na nossa existência.

Hoje pra além desta minha tentativa de abertura de espírito não prevejo nada que faça arrepiar. E sim vou deixar de pensar em levar as minhas amigas para locais abandonados, fazer manobras de volante perigosas e aparecer à janela do quarto da minha mãe com um saco na cabeça.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Não às cómodas, sim às estantes


Cómoda é uma peça de mobília baixinha e antiquada e serve para guardar pouca coisa, mais pratos e toalhas e depois coloca-se arranjos e fotos e bibelôs em cima.

Comodidade vem de cómoda e é tão desinteressante como a mãe.

Acho errado o apreço á comodidade, ao mais fácil e mais à mão de semear.
As pessoas começam por ser cómodas na escolha das refeições, na escolha das escolas, na escolha dos vizinhos como amigos, na não separação do lixo e acabam a ser assim na escolha de toda a vida, ao escolherem um parceiro porque mora perto, ao permanecerem no mesmo sítio para não ter que fazer novos amigos, ao escolher o curso porque o pai já tem um emprego pra ele nessa área, ao viverem com os pais enquanto adultos pra terem refeições todos os dias, ao manter uma relação porque não se está mal e é melhor do que estar sozinho.

Acomodam-se no que conhecem, no que sabem, no que lhes faz moderadamente bem.

Não arriscam, não se poêm á prova, não evoluem.

Deixem-se ser incomodados.
Não sejam bibelôs imperceptíveis ou toalhas confortavelmente amassadas numa antiquada cómoda.
Assim nunca saberão o que poderão ser numa bonita, alta e prática estante.

P.S Esteticamente até gosto muito de cómodas antigas mas acho que não invalida o raciocínio.

domingo, 17 de outubro de 2010

Felicidade existencial

Não vou estar para aqui a falar se acredito em Deus e se me identifico com alguma religião. Há umas bastante interessantes mas ainda não é tempo para isso.

Há é um aspecto em quase todas religiões que me enerva um pouco. É o pedir, o suplicar, o suposto rezar. A minha avó diz que rezar é falar com Deus e que tem longas conversas com Ele. Não concorda nada com aquelas ladaínhas padronizadas que se repetem sem fim. Elas são uma forma de adoração eu sei, mas convenhamos que ninguém está a pensar no que está a dizer enquanto as diz. Elas são mais um entupidor de cabeças, ao dizer aquilo de certa forma deixamos de pensar em outras coisas e deve dar ( a mim não dá, não me entope muito ) uma ligeira paz, não sei.
Eu gosto de ver quando as pessoas vão buscar uma certa tranquilidade, força e ânimo à sua crença. Mas não vejo isso.

Eu só vejo as pessoas a pedir, a pedir e a suplicar. "Meu Deus dai-me saúde, dai-me força, protege a minha família, dai-me dinheiro. Isto para mim é desistir, é uma medida desesperada, e não demonstra bem-estar nenhum e não é enaltecer Deus ou o que existe.
Não seria mais lógico "dar graças" ?
Ora se uma pessoa acredita que Deus criou e rege tudo e tem poder em tudo. Tem mais é de agradecer. Pensar na sorte que tem, e note-se que toda a gente tem de agradecer nem que seja o facto de existir. Se pensassem nas coisas boas que têm e com que contactam todos os dias e fossem rezar a Deus e agradecer e dizer "que bom, a sério", aí sentiriam-se bem e teriam um contentamento puro que lhes daria força para aguentar as chatices. Isso sim seria um bom uso da crença.

Não vou dizer que nunca pedi nada, fiz o crisma, tive educação católica. Já rezei e pedi coisas a Deus, mas descontraidamente e confesso mais do estilo "ora vamos ver se resulta". Também já lhe agradeci, é o que faço quanto estou em situações em que é suposto rezar como nas idas à Senhora da Lapa. Sei ver que tenho sorte em muitas coisas, como, onde nasci, na família, nas possiblidades, amigos, na própria base genética. Contudo não vou ser hipócrita convosco.

Há alturas em que nada disso parece adiantar porque ligamos o sensor da miséria e só detectamos cada ínfima porcaria que está à nossa volta. Aqui nestes momentos eu tenho o meu equilibrio base. Não são as distracções, as piadas, as compras ou o chocolate. Estes ajudam mas seriam muito temporários.
Tenho simplesmente a certeza que adoro a humanidade, adoro o mundo e nunca iria preferir não ser, estar, ver, gostar, detestar, pensar, experimentar, saber, poder. E a origem, as explicações, o "quem fez?", "quem manda?" vão surgindo e vão sendo pensadas mas ficam diminuídas perante isto.
Porque isto é o que chamei de felicidade existencial.

sábado, 16 de outubro de 2010

Culinária Genética Humana


Já ouvi mais do que uma vez apelidarem a carga genética com que nascemos de cozinhado. A minha avó até diz "quando estavas a ser cozinhada". Também diz "que petisco que me saíste" mas isso não tem nada a ver.
Sermos um cozinhado até tem sentido pois é uma mistura não proporcional de ingredientes e pequenas variações na concepção podem alterar tanto o aspecto como o sabor do resultado final. Imaginemos toda a gente como um cozinhado, que gostamos muito, pouco ou não e estabelecemos a relação com ela conforme isso.

Os critérios mais importantes num cozinhado são:

- Sabor
- Aspecto
- Impacto na saúde

O sabor do cozinhado é subjectivo. O mesmo prato sabe-nos diferente de vez para vez, depende até da nossa disposição no dia. As experiencias passadas contam muito, podemos ter más experiencias com pratos semelhantes, ou estar farto daquele grupo alimentar.
Cada vez que temos contacto com determinado cozinhado conseguimos discernir se nos agradou ou não. Se for um sabor totalmente novo há muita gente que se assusta e rejeita. Se for semelhante a algo que gostamos, é bom e comemos e voltamos a repetir. Se tiver um impacto negativo, escolhemos automaticamente entre 2 vias. Deitamos fora porque não há mais que fazer. Ou então pensamos uma maneira de salvar o cozinhado mudando-o. É preciso ter alguma sabedoria culinária e bagagem para salvar o cozinhado. Dizer o que falta até nem é complicado.
Muitas vezes é sal, pouca gente gosta de coisas insossas. A quantidade de sal é que é um desafio, algo excessivamente salgado é irremediável, podemos disfarçar com um molhinho ou tentar juntar uns acompanhamentos que atenuem mas o excesso de sal estará sempre lá. Após a refeição ficaremos com sede durante horas e horas. Não se aguenta. O truque é juntar aos poucos.
Outras vezes está cozinhado de menos ou cozinhado demais. O cru é bom porque ainda podemos mudar facilmente, deixamos mais ao lume, esperamos. O chamado muito passado, muito cozido é irreparável, normalmente acabamos por comer mas não repetimos. O queimado não convém, dá indigestão e pode mais tarde como se sabe provocar cancro.
Há quem não goste de desperdiçar depois compensa com uma melhor refeição seguinte.
Há cozinhados que precisam de mais pimenta mas há muita gente que não tolera e fica com mucosa gástrica irritada. Podíamos acrescentar especiarias mais exóticas, mas a maioria dos cozinhados não combinam com isso.
Há acompanhamentos que fazem toda a diferença. Tantas vezes escolhemos um prato por causa dos acompanhamentos. Um arrozinho de tomate disfarça bem um bife mal temperado, o molho do arroz pode até entrar no bife e mudar-lhe o sabor. Por outro lado uns legumezinhos até podem ser agradáveis mas vamos acabar por deixar o bife no prato e não ficar satisfeitos. Podemos acrescentar um aconchegante e querido molhinho de natas e cogumelos, nas primeiras garfadas vai ser mesmo bom, mas vamos enjoar, porque natas num mau tempero não funciona. Um bom vinho empurra como costumam dizer, mas corremos os risco de nos embriagarmos e ficarmos com capacidades mentais reduzidas.
Certos pratos não necessitam de ter especial acompanhamento porque já são muito elaborados, esses são os melhores normalmente. Um arroz de marisco e um empadão. Arroz de marisco mesmo bom e também susceptivel a mudança, podemos por mais sal, molho de tomate, mais marisco, é ideal. Só não pode ser deixado á espera se não o molho vai-se e também não há grande remédio. Um empadão é mesmo bom e enche-nos bastante, mas não há grandes mudanças que podemos efectuar. Porém puré disfarça uma má carne e consegue esperar algum tempo, é paciente.

Relativamente ao aspecto, terei de recorrer à expressão "comer com os olhos", é o que muitos fazem. Mau e bom aspecto nem sempre se relacionam com o sabor. E depois junta-se a pressão social "vais comer isso? parece estragado" ou simplesmente "que mixórdia é essa que estás a comer?" ou pelo contrário "isso tem tão bom aspecto", posto isto há quem dê a provar, quem queira as coisas só para si e o próprio apreciador pode não querer provar por estar satisfeito.

Agora a saúde. É preciso variedade na alimentação para crescermos e construirmos uma barreira imunitária. No fundo qualquer exagero de determinado prato é mau, enjoa, entope-nos as artérias. E depois ficamos doentes e temos de cortar determinado grupo alimentar mesmo que nos custe. Por fim, não devemos passar muitas horas sem contactos alimentares.


Devemos tentar conservar as características fundamentais do nosso cozinhado. Mas metermo-nos num congelador, imutáveis, à espera de ser descongelados não é via. Temos de nos deixar mudar, de nos deixar ficar melhores. De ir procurando os acompanhamentos ( aqui para esclarecer acompanhamentos é tudo o que rodeia o individuo, o que vem com ele, bens/ actividades, amigos, etc) que mais combinam connosco. Não adianta pensar que um dia vamos ser invadidos pelo bolor e seremos destruídos, sim temos um prazo mas também há cada vez mais maneiras de conservação.

Acho que conseguiram ver os diversos paralelismos. Há conversas que dão nisto. Será uma teoria, teoria da Culinária Genética Humana.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Poderes sobrenaturalmente naturais


Hoje sei que é humanamente impossível ver átomos de oxigénio à vista desarmada mas passei anos a jurar que tinha poderes sobrenaturais e via-os se me concentrasse. Há pouco tempo descobri que vejo mal, tenho astigmatismo. Isso não favorece a minha teoria da visão mutante. De qualquer forma não é nada espectacular nem útil.

Algumas vezes com uma frequência aleatória penso que cada um de nós tem um poder sobrenatural mas quase ninguém descobre porque não calhou. Sim, já tentei mover coisas com o olhar, teletransporte, fazer leitura de pensamentos, previsão de desastres, ver se tinha reflexos fora do normal, mudar o ambiente de uma sala, fazer com que fique bom tempo, criar uma chama. Confesso que até tentei reflectir sobre as probabilidades de ser um muggle mas passou-me logo. So não tentei com muita veemência atravessar paredes e voar por motivos óbvios.

Azucrino a minha imaginação a pensar em mais para ver se algum se verifica. Mas na verdade nós podemos ter poderes tão descontextualizados que nunca iremos sequer pensar e conseguir aperceber-nos que o temos.
Quem sabe se uma emoção forte de carácter negativo aqui não influencia a vida de alguém no Japão ou se até não temos a capacidade de determinar o destino de alguém por imaginarmos com força uma situação que queríamos ou temíamos que acontecesse connosco? Podemos até fazer isso no sonho insconsciente e nem lembrar.
Não acho isto nada provável mas também se acontecer nunca saberemos.

(Eu não sou nada de cosmicidade apesar de ter panca pelos signos. Note-se que não acredito em previsões astrológicas mas acho interessante o facto de alguém se ter lembrado desta padronização, de nos tentar reduzir a 12 personalidades básicas. Admitamos que não é ideia de uma pessoa burra. Há livros extensos sobre o assunto e já li um que os meus pais tinham aqui umas 10 vezes. Tenho é paixão por maneiras de ser e reagir, basicamente por pessoas.)

Voltando ao assunto, uma vez li uma teoria de que temos interacçoões químicas com todos os seres da nossa espécie que influenciam o funcionamento do nosso organismo das mais variadas maneiras. Assim simplesmente porque estivemos sentados à beira de um homem qualquer num autocarro podemos através das tais interacções químicas ficar com uma enxaqueca nesse dia. Mais, um doente pode despertar do coma devido ao contacto com alguém que emane o perfil químico correcto. Daí ser tão pouco exequível o prognóstico destas situações. Grandes obras e criações também seguiam o mesmo processo ou seja a inspiração também era química. E como seriam de esperar, também todos contentitos, explicavam o mito da alma-gémea com base nisso.
Não sei onde li isto, nunca mais encontrei, às vezes até acho que sonhei.
É bastante rebuscado mas sabe-se lá, a verdade é que o nosso organismo e o ambiente que o rodeia são como aqueles casais que não desgrudam e que estão sempre a convencer-se e a concordar-se mutuamente caminhando para pensar da mesma forma.

O que eu sei e penso bastantes vezes é que as relações e interacções humanas, e falo mais a nível psicológico, determinam quase tudo o que acontece neste mundo ou pelo menos a forma como acontece.

Vejamos. O Manel acorda para um dia normal. O café tinha acabado e ninguém comprou. Reclama com a esposa, a Maria. Maria vai po trabalho enervada. A secretária diz-lhe que ontem enganou-se a mandar um dado para um cliente mas já está a corrigir. Ela chama a atenção mais agressivamente que o normal. A secretária Rita ainda é nova e uma pessoa bastante insegura. Fica nervosa, liga para a Mãe a chorar "eu sou uma inútil, vou perder o emprego". A Mãe Susana fica triste e preocupada e resolve ligar ao irmão. O tio de Rita é amigo de Maria e recomendou-lhe Rita. Susana conta o que aconteceu e pede lhe que interceda. O tio Artur riposta e discutem durante uns 5 min. Artur já estava no carro prestes a sair de casa já atrasado para o trabalho quando recebeu o telefonema. Mal desliga, arranca rapidamente. Uma bicicleta aparece à sua frente, ele atropela o vizinho Joãozinho.

Isto é possível e acontece. De certeza que ja fizemos pessoas muito felizes ou muito infelizes que nem temos ideia de quem são. É toda aquela questão de tempo e espaço e o nosso estado mental tanto racional como emotivamente. Podemos estar a determinar mortes e nascimentos no mundo todos os dias. Acho isto um poder incrível e um pouco assustador.
Ora tentar ser uma boa pessoa intrinsicamente e não espalhar negatividade não deixa de parecer uma mensagem religiosa mas prefiro ve-la como um ideal hippie para termos um universo mais equilibrado e jeitoso.
De qualquer forma, não deixem de tentar os outros poderes mais improváveis, nunca se sabe e é divertido.

sábado, 2 de outubro de 2010

"Que seja a última vez"




Hoje dei por mim a imitar a minha mãe em cenário de grande irritação e abuso de boa vontade: levantei e engrossei a voz, arregalei os olhos e disse ameaçadoramente (por telefone)
"Que seja a ultíma vez Sara Filipa"

A raiva passou em quê? 5 minutos? O objecto da raiva fechou-se no quarto mas amanhã estará tudo normal. Como fica normal quando nos insultamos e ela bate com as portas.

Tenho uma incapacidade natural de berrar com alguém e não sei o que é "passar-se da cabeça". Aliás fico impávida quando numa discussão surgem murros nas paredes e pontapés a coisas aleatórias. Nunca entendi o espalhafato e violência que toda a gente parece gostar de incluir nas discussões quotidianas. A minha reacção a isto é do mais primitivo que há, fujo. Hei-de fazer um posto totalmente dedicado á porrada.

Na última vez que berrei com a minha mãe, arrependi me e chorei 1 min depois. O choro resolve estas coisas porque habitualmente ninguém gosta de discutir com alguém que dá claros sinais de fraqueza. Ninguém normal.

Aparentemente sei como fazer as pessoas passarem-se da cabeça. Ora se numa discussão até bastante banal, eu me sinto atacada, eu ataco com palavras e uso todo o cinismo possível e imaginário porque acho a melhor defesa. Além de que, numa perspectiva fria, é interessante por o meu lado mau a funcionar.
Não reparo que estou a fazer a pessoa passar-se da cabeça, só que estou a derrotá-la com palavras. É como um jogo, e a partir do momento que noto a voz mais alta e agressiva perde todo o interesse.
Fraqueza mental, vão recorrer ao poder físico.

Concluindo, acho berros e descargas nervosas pouco merecíveis de atenção, não têm efeito prático nenhum a não ser denegrir a imagem.
Tenho os meus amuos de 1 hora e aqueles votos de silêncio de 30 minutos ( estou bastante temporal hoje) e as cenas do "se entrares aqui eu saio". É tao raro irritar-me que só conheço uma pessoa capaz de vir aqui reclamar esse feito.

O que realmente abrasa um pouco e me chateia verdadeiramente são injustiças e faltas de consideração perante a minha pessoa.
Isto é, eu consigo achar que a pessoa não foi merecedora dos meus lugares, ideias, qualificações, charmes, épocas.
Discutir nestes casos? Cinismo e jogos mentais?
Não justifica, se consigo passar a ter uma relação mais obrigatoriamente civilizada e circunstancial que com o caixa do pingo doce.