Não vou estar para aqui a falar se acredito em Deus e se me identifico com alguma religião. Há umas bastante interessantes mas ainda não é tempo para isso.
Há é um aspecto em quase todas religiões que me enerva um pouco. É o pedir, o suplicar, o suposto rezar. A minha avó diz que rezar é falar com Deus e que tem longas conversas com Ele. Não concorda nada com aquelas ladaínhas padronizadas que se repetem sem fim. Elas são uma forma de adoração eu sei, mas convenhamos que ninguém está a pensar no que está a dizer enquanto as diz. Elas são mais um entupidor de cabeças, ao dizer aquilo de certa forma deixamos de pensar em outras coisas e deve dar ( a mim não dá, não me entope muito ) uma ligeira paz, não sei.
Eu gosto de ver quando as pessoas vão buscar uma certa tranquilidade, força e ânimo à sua crença. Mas não vejo isso.
Eu só vejo as pessoas a pedir, a pedir e a suplicar. "Meu Deus dai-me saúde, dai-me força, protege a minha família, dai-me dinheiro. Isto para mim é desistir, é uma medida desesperada, e não demonstra bem-estar nenhum e não é enaltecer Deus ou o que existe.
Não seria mais lógico "dar graças" ?
Ora se uma pessoa acredita que Deus criou e rege tudo e tem poder em tudo. Tem mais é de agradecer. Pensar na sorte que tem, e note-se que toda a gente tem de agradecer nem que seja o facto de existir. Se pensassem nas coisas boas que têm e com que contactam todos os dias e fossem rezar a Deus e agradecer e dizer "que bom, a sério", aí sentiriam-se bem e teriam um contentamento puro que lhes daria força para aguentar as chatices. Isso sim seria um bom uso da crença.
Não vou dizer que nunca pedi nada, fiz o crisma, tive educação católica. Já rezei e pedi coisas a Deus, mas descontraidamente e confesso mais do estilo "ora vamos ver se resulta". Também já lhe agradeci, é o que faço quanto estou em situações em que é suposto rezar como nas idas à Senhora da Lapa. Sei ver que tenho sorte em muitas coisas, como, onde nasci, na família, nas possiblidades, amigos, na própria base genética. Contudo não vou ser hipócrita convosco.
Há alturas em que nada disso parece adiantar porque ligamos o sensor da miséria e só detectamos cada ínfima porcaria que está à nossa volta. Aqui nestes momentos eu tenho o meu equilibrio base. Não são as distracções, as piadas, as compras ou o chocolate. Estes ajudam mas seriam muito temporários.
Tenho simplesmente a certeza que adoro a humanidade, adoro o mundo e nunca iria preferir não ser, estar, ver, gostar, detestar, pensar, experimentar, saber, poder. E a origem, as explicações, o "quem fez?", "quem manda?" vão surgindo e vão sendo pensadas mas ficam diminuídas perante isto.
Porque isto é o que chamei de felicidade existencial.
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