sábado, 2 de outubro de 2010

"Que seja a última vez"




Hoje dei por mim a imitar a minha mãe em cenário de grande irritação e abuso de boa vontade: levantei e engrossei a voz, arregalei os olhos e disse ameaçadoramente (por telefone)
"Que seja a ultíma vez Sara Filipa"

A raiva passou em quê? 5 minutos? O objecto da raiva fechou-se no quarto mas amanhã estará tudo normal. Como fica normal quando nos insultamos e ela bate com as portas.

Tenho uma incapacidade natural de berrar com alguém e não sei o que é "passar-se da cabeça". Aliás fico impávida quando numa discussão surgem murros nas paredes e pontapés a coisas aleatórias. Nunca entendi o espalhafato e violência que toda a gente parece gostar de incluir nas discussões quotidianas. A minha reacção a isto é do mais primitivo que há, fujo. Hei-de fazer um posto totalmente dedicado á porrada.

Na última vez que berrei com a minha mãe, arrependi me e chorei 1 min depois. O choro resolve estas coisas porque habitualmente ninguém gosta de discutir com alguém que dá claros sinais de fraqueza. Ninguém normal.

Aparentemente sei como fazer as pessoas passarem-se da cabeça. Ora se numa discussão até bastante banal, eu me sinto atacada, eu ataco com palavras e uso todo o cinismo possível e imaginário porque acho a melhor defesa. Além de que, numa perspectiva fria, é interessante por o meu lado mau a funcionar.
Não reparo que estou a fazer a pessoa passar-se da cabeça, só que estou a derrotá-la com palavras. É como um jogo, e a partir do momento que noto a voz mais alta e agressiva perde todo o interesse.
Fraqueza mental, vão recorrer ao poder físico.

Concluindo, acho berros e descargas nervosas pouco merecíveis de atenção, não têm efeito prático nenhum a não ser denegrir a imagem.
Tenho os meus amuos de 1 hora e aqueles votos de silêncio de 30 minutos ( estou bastante temporal hoje) e as cenas do "se entrares aqui eu saio". É tao raro irritar-me que só conheço uma pessoa capaz de vir aqui reclamar esse feito.

O que realmente abrasa um pouco e me chateia verdadeiramente são injustiças e faltas de consideração perante a minha pessoa.
Isto é, eu consigo achar que a pessoa não foi merecedora dos meus lugares, ideias, qualificações, charmes, épocas.
Discutir nestes casos? Cinismo e jogos mentais?
Não justifica, se consigo passar a ter uma relação mais obrigatoriamente civilizada e circunstancial que com o caixa do pingo doce.

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