quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Mensagem com um ligeiro carácter natalício



Se calhar isto devia ser uma mensagem natalícia e se calhar até é. Já estou a entrar nos "se calhares" o que nem é bom, não aprecio.
Eu só tive a realização espiritual que era Natal por volta das 1h30.
Não foi por ter tido uma aparição, por alguém me ter avisado, por ver as felicitações no facebook, foi isto:
- Ana o teu telemóvel não está ligado? A Sara diz que está farta de ligar. Vais buscá-la ou tenho de ir eu?
- Já que estás de pé podias ir tu.
- Oh pronto...
(olho pro relógio, 5 segundos)
- Maaaaa maaaa, eu vou, tu fazes anos.
Não é que eu só faça favores a aniversariantes mas foi aí que senti que estamos no Natal apesar de ter árvore com luzes que piscam de maneiras diferentes, prendas escondidas, bolo rei, cabazes e essas coisas. Tem sentido porque é a única coisa que nunca mudou no meu Natal, é a minha Mãe fazer anos e o esforço que eu e a irmã e o Pá fazemos durante todo o dia para que ela não fique triste. Na verdade, o meu espírito natalício de reunião familiar que já me fez fazer teatro de marionetas, armar-me em bailarina com o meu pai para deleite familiar, andar o dia todo vestida de Mãe Natal a fazer as distribuições de prendas, levar um enxerto de porrada do meu primo, mandar postais...foi incutido pela Natalina de Jesus (porque é que a minha avó nao autorizou este nome genialmente proposto pela madrinha?)
Oh tenho saudades do tempo em que me sentava a escrever postais natalícios que a única coisa que tinham a ver com a época era o "Feliz Natal" final. Não me interessa o significado religioso disto e como isto nasceu, já tenho laços sentimentais com a época ao ponto de não ter vontade de fazer uma análise racional desta.
Não gosto mesmo de ter coisas importantes para fazer nas férias de Natal que têm todo o enquadramento e cenário para o profundo descanso. Tenho descanso físico em demasia mas não consigo ME descansar. É que as pessoas precisam descansar-se para revitalizarem, relaxarem a um ponto em que se ergue a sua essência, as suas vontades, os gostos e de novo o que fazem e o que dizem e o que pensam consegue constituir o que realmente são. Basicamente repor o stock de identidade.
Já estive mais longe de descurar as minhas responsabilidades, ainda fico com uma crise de identidade e para adicionar vem a síndrome de desperdício de tempo de vida e angústia nervosa dos quase 21 anos.
O que vale é que eu suspeito que a duração das crises é epocaexamememente limitada, se não for pode ser que 2011 seja o ano em que há o verdadeiro extravazamento da rebeldia empacotada durante toda a minha existência.

Bem vejam lá se têm um Natal espirituoso e descansado e se têm tempo façam reposição ^^

domingo, 19 de dezembro de 2010

Será que o bem predomina?



Isto é somos maioritariamente boas pessoas?

Muita gente perante esta pergunta hesitaria e diria "nos tempos que correm já não sei, tanto tarado e criminoso e tanta guerra." Sim legítimo.
Mas eu acho que sim.
Esta pergunta surgiu num cenário não muito propício à reflexão isto porque o mulherio decidir ver um filme ( quer dizer estavam lá 2 exemplares do sexo masculino, até estiveram 4 mas não se notava). O filme era Blood Diamonds, ou seja é um filme de coisas sérias, e nunca vimos um filme de coisa sérias em grupo. Houve quem chorasse com os trailers anteriores ao filme, quem já tivesse visto o filme e mandado comentários do género " Ele vai morrer não é? Ai já não me lembro" e até discussões sobre a importância fulcral dos jornalistas nestes conflitos com pérolas de comentários:
"Os jornalistas são os únicos que fazem alguma coisa nestas situações."
"E os médicos?"
"Os médicos são do governo vês?"
"Estás a ver o que jornalistazeca conseguiu?"
"Olha ali a pilotar o avião, também deve ser um jornalista"
Para terminar na parte mais emotiva do filme em que devíamos estar emocionados e em alta tensão,surge a frase "as tuas vacas te esperam" que nos pareceu a coisa mais engraçada do mundo. A nossa parvoíce colectiva é incrível, eu fico infectada com 3 minutos de convivência com mais de 4 elementos do grupo. Quando somos menos de 5 até conseguimos parecer adultas. Excepto quando decidimos ir só duas para a noite a perguntar preços de bebidas e a beber colas e sumos de ananás e achamos tudo muito divertido.

Bem, voltando á questão, ela surgiu num diálogo do filme e eu mesmo naquele cenário fiz uma pequena reflexão.
Ora em primeira análise o bem predomina porque diariamente há mais nascimentos do que assassinatos, há mais acções de caridade do que atentados, penso que há mais gente a oferecer do que a roubar (mas não tenho certeza neste ponto), há mais "passou bens" e beijinhos do que socos e estaladas.
É engraçado como se entranha na nossa cabeça o que é bom e mau, é tão intrínseco. Eu penso quem é que disse que isto é que é fazer o bem? Porque é que no ínicio de tudo não ficou estabelecido que o correcto era eliminarmos a concorrência?
Já repararam que os nossos antepassados conseguiram aperceber-se que precisavam uns dos outros e que eram mais felizes em grupo: "Para quê matar ou magoar aquele macaco se ele até sabe fazer fogueiras?" Mas se viesse outro grupo eles matavam porque não precisavam deles, eram simples competição.
Fomos evoluindo, os grupos tornaram-se maiores, fomos precisando de cada vez mais gente, construindo ligações de dependência com cada vez mais pessoas. Começaram a aparecer pessoas a pregar formas de vida e depois surgiu ética. Caraças isto é íncrível. Apareceu o perdão, sermos bons com pessoas que fizeram mal! Apareceu o chamado altruísmo! A noção do que é justo e injusto. As pessoas começaram a viver umas com outras e a ser simpáticas e desejar coisas boas a quem não fazia diferença nenhuma no seu bem estar. Há pessoas a arriscar a vida para salvar outras todos os dias ( aqui a adrenalina tem um peso algo relevante mas não deixa de ser fabuloso) e outras que albergam, ajudam, tratam, criam estranhos porque sim, porque gostam.
Agora não sou ingénua ao ponto de ignorar que a maioria da bondade mundial é uma bondade frágil e de conformidade que se mantém porque nos deparamos mais com boas situações e com boas pessoas e que apesar dos maus dias e dos maus episódios temos as necessidades básicas asseguradas e acesso a quem e ao que nos dá prazer ( de acordo com as possibilidades financeiras claro).
Mas e se perdéssemos tudo? Não voltaríamos a ter as atitudes animalescas dos antepassados? Não seríamos maus como as cobras?
Nunca posso dizer com certeza no que me tornaria se vivesse na miséria mas uma coisa posso dizer: a probabilidade de me tornar uma cabra implacável sem escrúpulos, nem piedade que não sabe o que é altruísmo e totalmente ajustável ao perfil de assassina seria muito maior se me tirassem QUEM eu gosto. E espero que isto se verifique na maioria das pessoas.
É no final de contas, o maravilhoso resultado de evolução, porque se dantes matavámos quem não precisávamos hoje na maioria eramos capazes de matar se nos privassem de quem precisamos.
A mente humana não tem limites para nada, o mal não é excepção. Cometem-se atrocidades todos os dias, fazem-se coisas cada vez mais repudiantes e elaboradas para magoar as pessoas mas predominantemente o bem já está no DNA da espécie humana.

O planeta vai assegurar a bondade de confortabilidade? Provavelmente não.

Se a penúria atingir a maioria espero que a espécie humana tenha pontos bondosos suficientes para não sofrer involução.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Luz, preto, Luz, preto, Luz
Visão intermitente atingia-me no alcatrão
Senti vontade de rebolar
Sim, vários movimentos rotativos
Agitavam a inspiração

Sensação física incomodou
Raios, um relevo frio
Estava o tempo e espaço retornados
Uma chave? Verdadeira chave
Perante o universo rio!

Fechados são minha inconcebilidade
Estes pobres sinais!
Desconhecem destinatário

Aqui, presente contentor
O lixo possui maior clarividência
Tampa erguida, cega mão envolvida
Procura -se astral evidência

E chega a madrugada da verdade
Um nabo, revelador
Teria então um robusto tractor

Desenganem-se desperdícios humanos!
Pura leviandade
Deporto qualquer amanhã aterrado
Possuo Cidade.