
Se calhar isto devia ser uma mensagem natalícia e se calhar até é. Já estou a entrar nos "se calhares" o que nem é bom, não aprecio.
Eu só tive a realização espiritual que era Natal por volta das 1h30.
Não foi por ter tido uma aparição, por alguém me ter avisado, por ver as felicitações no facebook, foi isto:
- Ana o teu telemóvel não está ligado? A Sara diz que está farta de ligar. Vais buscá-la ou tenho de ir eu?
- Já que estás de pé podias ir tu.
- Oh pronto...
(olho pro relógio, 5 segundos)
- Maaaaa maaaa, eu vou, tu fazes anos.
Não é que eu só faça favores a aniversariantes mas foi aí que senti que estamos no Natal apesar de ter árvore com luzes que piscam de maneiras diferentes, prendas escondidas, bolo rei, cabazes e essas coisas. Tem sentido porque é a única coisa que nunca mudou no meu Natal, é a minha Mãe fazer anos e o esforço que eu e a irmã e o Pá fazemos durante todo o dia para que ela não fique triste. Na verdade, o meu espírito natalício de reunião familiar que já me fez fazer teatro de marionetas, armar-me em bailarina com o meu pai para deleite familiar, andar o dia todo vestida de Mãe Natal a fazer as distribuições de prendas, levar um enxerto de porrada do meu primo, mandar postais...foi incutido pela Natalina de Jesus (porque é que a minha avó nao autorizou este nome genialmente proposto pela madrinha?)
Oh tenho saudades do tempo em que me sentava a escrever postais natalícios que a única coisa que tinham a ver com a época era o "Feliz Natal" final. Não me interessa o significado religioso disto e como isto nasceu, já tenho laços sentimentais com a época ao ponto de não ter vontade de fazer uma análise racional desta.
Não gosto mesmo de ter coisas importantes para fazer nas férias de Natal que têm todo o enquadramento e cenário para o profundo descanso. Tenho descanso físico em demasia mas não consigo ME descansar. É que as pessoas precisam descansar-se para revitalizarem, relaxarem a um ponto em que se ergue a sua essência, as suas vontades, os gostos e de novo o que fazem e o que dizem e o que pensam consegue constituir o que realmente são. Basicamente repor o stock de identidade.
Já estive mais longe de descurar as minhas responsabilidades, ainda fico com uma crise de identidade e para adicionar vem a síndrome de desperdício de tempo de vida e angústia nervosa dos quase 21 anos.
O que vale é que eu suspeito que a duração das crises é epocaexamememente limitada, se não for pode ser que 2011 seja o ano em que há o verdadeiro extravazamento da rebeldia empacotada durante toda a minha existência.
Bem vejam lá se têm um Natal espirituoso e descansado e se têm tempo façam reposição ^^
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