domingo, 13 de março de 2011

Caviar



-Anaa, vais provar o caviar que comprei por 2 euros no IKEA. Até agora ninguém gostou, até quero ver o que achas.

- Está bom, até tenho curiosidade, com tostas?

- Claro, não consegues comer isso assim. Olha tens laranja e preto, eu ja provei os dois mas eles só o laranja.

- Está bem...

(.....) (...intervalo de tempo em que fiquei feliz porque nunca tinha imaginado este cenário para a minha prova do caviar e eu gosto de imprevisibilidade)

- Não é mau...

- Oh Ana és um máximo.

- Acho que estou a ter um dejá vu, já comi isto numa vida passada.

- É porque eras rica. Qual é o melhor?

(Momento em que pensei em como possuir uma fortuna se poderia enquadrar no quadro de violação e atropelamento que tinha da minha vida anterior.)

- Gosto dos dois, vou comer mais para ver a diferença.

- Come come, vais ficar com moca!

- Moca? com caviar?

- Então Ana se o chocolate dá! (referente a episódio passado em que eu e a Maria ficamos mocadas com chocolate 99%)

- (tempo passado a relembrar e a rir deste episódio)

- Vês? Já estás a ficar mocada!

- Acho que gosto mais do preto mas não me apetece mais.

- É o preto é mais real.

- Pois eu tenho ideia que aquilo é meio acinzentado.

(Ana resolve analisar o rótulo do caviar)

- Olha Mi, o preto é preto porque é de algas e o outro é de um peixe qualquer.

-Ah está bom.

- Mi...Quando abriste isto?

- Há 2 semanas quando comprei.. porquê?

- Diz aqui conservar refrigerado...

- Ah.. diz? Ai não sabia..

- Não faz mal, não há-de fazer mal, são só ovas de peixe sueco estragadas ...

(Ataque de riso da Maria daqueles em que não consegue falar seguida da minha própria pessoa)

- Olha Ana come tostas com atum ou com paté de pato.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Actividades solitárias e auto-possessividade


Consigo gostar tanto de estar sozinha.
É que na verdade estou verdadeiramente poucas vezes num local sem ninguém. Lembro-me que só estive sozinha em casa pela primeira vez quando entrei pro ciclo. Esses tempos de solidão e liberdade extrema eram basicamente usados para libertar o talento para o mundo do espectáculo reprimido em mim. O "Ana vais ficar um pouco sozinha, não atendas a campainha nem telefones desconhecidos" era entendido pelo meu pequeno eu como "hoje quando eu sair vais dar um concerto de multivariedades e podes usar a casa toda como palco e os sofás também". Como eu era feliz a saltar nos sofás. Lembro-me que a primeira vez que a minha mãe e depois minha irmã me apanharam a meio do concerto foram um pouco traumatizantes para ambas. Um concerto dura normalmente 2horas e era mais ou menos este tempo que gostava de ficar sozinha, depois começava a ligar à minha mãe e entrava em modo vegetal absorvendo perigosamente qualquer conteúdo televisivo no ar no momento.
Desde que tenho uma casa que não é dos meus pais, tenho-me apegado ao tempo "não está mais ninguém aqui e não vai estar" muito rapidamente. Tantos fins de semana que já fiquei em Coimbra porque tinha razões muito importantes e compromissos inadiáveis e queria estar sozinha. As minhas actividades solitárias têm diversificado e complexado ( talvez não ) embora possa por vezes ocorrer alguns mini concertos.
É impossível não nos habituarmos a um tempo em que podemos simplesmente estar a olhar fixamente para um sítio indefinidamente e ninguém vai dizer "acorda" ou "estás a olhar para onde?". Em que podemos estar com o pensamento na Rússia e poder ir à Austrália e ter estadia indeterminada e voltar sempre que quisermos.
Podemos deitar-nos no chão e fazer ruídos, comer fiambre com gelado, vestir uma camisola nas pernas, ver televisão de pernas pro ar, tentar determinar qual é a expressão mais feia que conseguimos fazer, ficar com a boca suja de ketchup e não limpar...Ninguém verá, comentará, julgará, questionará e ninguém saberá se nós não o quisermos.
Bem podem dizer que a intimidade máxima que teremos com uma pessoa é alcançada quando estando com ela conseguimos ser o que somos quando estamos sozinhos. Eu não quero que alguma vez isto me aconteça, quero uma parte de mim que seja mesmo só minha sempre.
Sou auto-possessiva, é isso.

domingo, 6 de março de 2011

Pequeninos esclarecimentos

A minha descrição de realidades afinal é apreciada. Se se indagaram ou enervaram com a minha filosofia e não objectividade digo-vos que o meu pouco contributo de realidade para este blog tem como base o seguinte cocktail:

perigo de fazer alguém parecer o burro do celeiro quando até era raposa
+
medo de dizer que apareceu um cuco verde quando na realidade era uma folha de Carvalho
+
pavor de já não ter posse intrínseca da história e a liberdade de poder contá-la quando vier mesmo mesmo a calhar a quem eu decidir fazê-lo.

E esta é que no fundo me preocupa. E serve também para explicar o porquê de eu não falar e opinar sobre todos os assuntos do mundo.

Por vezes penso se tenho perfil para ter blog. E concluo que não tenho. Mas gosto de quando tenho ímpeto de escrever.


Assim aos que não me conhecem eu afirmo que há banalidade em mim, eu sou normal, canto Rihanna, como rojões, falo de cabelo e rio-me quando dizem cagalhoto. ~

A quem espera pela minha descrição de realidade, que não espere que aguarde.

Já disse que adoro brincar com palavras? Ontem lembrei-me do nada que Carnaval era Car naval e passei a noite a pensar o "Car Naval ou o Automovél Marítimo". Hoje decidi ver a origem da palavra e pimbas "carro naval" embora a mais correcta e aceite actualmente seja "carne vale" (que é capaz de ter mais piada de facto). Pronto claro que posto isto achei que era um génio durante 1 hora, agora já não acho.

Fim de esclarecimentos.