
Consigo gostar tanto de estar sozinha.
É que na verdade estou verdadeiramente poucas vezes num local sem ninguém. Lembro-me que só estive sozinha em casa pela primeira vez quando entrei pro ciclo. Esses tempos de solidão e liberdade extrema eram basicamente usados para libertar o talento para o mundo do espectáculo reprimido em mim. O "Ana vais ficar um pouco sozinha, não atendas a campainha nem telefones desconhecidos" era entendido pelo meu pequeno eu como "hoje quando eu sair vais dar um concerto de multivariedades e podes usar a casa toda como palco e os sofás também". Como eu era feliz a saltar nos sofás. Lembro-me que a primeira vez que a minha mãe e depois minha irmã me apanharam a meio do concerto foram um pouco traumatizantes para ambas. Um concerto dura normalmente 2horas e era mais ou menos este tempo que gostava de ficar sozinha, depois começava a ligar à minha mãe e entrava em modo vegetal absorvendo perigosamente qualquer conteúdo televisivo no ar no momento.
Desde que tenho uma casa que não é dos meus pais, tenho-me apegado ao tempo "não está mais ninguém aqui e não vai estar" muito rapidamente. Tantos fins de semana que já fiquei em Coimbra porque tinha razões muito importantes e compromissos inadiáveis e queria estar sozinha. As minhas actividades solitárias têm diversificado e complexado ( talvez não ) embora possa por vezes ocorrer alguns mini concertos.
É impossível não nos habituarmos a um tempo em que podemos simplesmente estar a olhar fixamente para um sítio indefinidamente e ninguém vai dizer "acorda" ou "estás a olhar para onde?". Em que podemos estar com o pensamento na Rússia e poder ir à Austrália e ter estadia indeterminada e voltar sempre que quisermos.
Podemos deitar-nos no chão e fazer ruídos, comer fiambre com gelado, vestir uma camisola nas pernas, ver televisão de pernas pro ar, tentar determinar qual é a expressão mais feia que conseguimos fazer, ficar com a boca suja de ketchup e não limpar...Ninguém verá, comentará, julgará, questionará e ninguém saberá se nós não o quisermos.
Bem podem dizer que a intimidade máxima que teremos com uma pessoa é alcançada quando estando com ela conseguimos ser o que somos quando estamos sozinhos. Eu não quero que alguma vez isto me aconteça, quero uma parte de mim que seja mesmo só minha sempre.
É que na verdade estou verdadeiramente poucas vezes num local sem ninguém. Lembro-me que só estive sozinha em casa pela primeira vez quando entrei pro ciclo. Esses tempos de solidão e liberdade extrema eram basicamente usados para libertar o talento para o mundo do espectáculo reprimido em mim. O "Ana vais ficar um pouco sozinha, não atendas a campainha nem telefones desconhecidos" era entendido pelo meu pequeno eu como "hoje quando eu sair vais dar um concerto de multivariedades e podes usar a casa toda como palco e os sofás também". Como eu era feliz a saltar nos sofás. Lembro-me que a primeira vez que a minha mãe e depois minha irmã me apanharam a meio do concerto foram um pouco traumatizantes para ambas. Um concerto dura normalmente 2horas e era mais ou menos este tempo que gostava de ficar sozinha, depois começava a ligar à minha mãe e entrava em modo vegetal absorvendo perigosamente qualquer conteúdo televisivo no ar no momento.
Desde que tenho uma casa que não é dos meus pais, tenho-me apegado ao tempo "não está mais ninguém aqui e não vai estar" muito rapidamente. Tantos fins de semana que já fiquei em Coimbra porque tinha razões muito importantes e compromissos inadiáveis e queria estar sozinha. As minhas actividades solitárias têm diversificado e complexado ( talvez não ) embora possa por vezes ocorrer alguns mini concertos.
É impossível não nos habituarmos a um tempo em que podemos simplesmente estar a olhar fixamente para um sítio indefinidamente e ninguém vai dizer "acorda" ou "estás a olhar para onde?". Em que podemos estar com o pensamento na Rússia e poder ir à Austrália e ter estadia indeterminada e voltar sempre que quisermos.
Podemos deitar-nos no chão e fazer ruídos, comer fiambre com gelado, vestir uma camisola nas pernas, ver televisão de pernas pro ar, tentar determinar qual é a expressão mais feia que conseguimos fazer, ficar com a boca suja de ketchup e não limpar...Ninguém verá, comentará, julgará, questionará e ninguém saberá se nós não o quisermos.
Bem podem dizer que a intimidade máxima que teremos com uma pessoa é alcançada quando estando com ela conseguimos ser o que somos quando estamos sozinhos. Eu não quero que alguma vez isto me aconteça, quero uma parte de mim que seja mesmo só minha sempre.
Sou auto-possessiva, é isso.
Sem comentários:
Enviar um comentário