
Gosto de pensar no sentido das palavras e porque é que foram feitas assim.
As que começam por "des" são um pouco incoerentes.
Supostamente quando juntamos o prefixo "des" era para dar o sentido contrário da forma verbal adiante.
Como desocupar, desfazer, desatar, desentender, desligar, desconectar, desculpar
mas depois existe desafiar, destacar, despoletar, designar que já nao funcionam assim.
No outro dia pensei em "desiludir", esta tem que se lhe diga. Ora desiludir, é não corresponder às expectativas, ao que era suposto.
Porém visto se enquadrar no primeiro grupo de palavras que mencionei, o grupo dos contrários é literalmente "deixar de iludir".
Ilusão é mau, desilusão deveria ser bom, mas é mau e bastante mau.
Desilusão consegue ser mesmo desgastante a nível emocional porque parte de algo que considerávamos bom de forma sólida.
Por outro lado se pensarmos que uma desilusão é descobrir um falso bom, então é positivo porque ninguém precisa de falsos bons.
Porque é que nunca dizemos "tu iludiste-me", "fui iludida" e dizemos sempre "desiludiste-me tanto"?
O centro da questão é a ilusão em si.
Ninguém deve iludir ninguém nem ninguém deveria se deixar iludir.
Ao queixarmo-nos da desilusão, até parece que a ilusão é mel. Só se for mel estragado. Tenho a impressão é que nós gostamos de ser iludidos, às vezes, passeamo-nos nas ilusões tal como nos sonhos e aspirações. Até gostamos de ilusionistas. Precisamos disso. Há sempre coisas más de que precisamos na verdade.
Proponho a todos vocês uma mudança de vocabulário. Se alguém ou algo vos der as peças para construírem um palacete e depois vierem a descobrir que era para um quintal, digam
"Tu iludiste-me e ainda bem que tive uma desilusão"
Se vamos deixar de nos sentir a nadar em água choca com lodo e uma lampreia a tentar esganar-nos? Não. Não mas assim está correcto e ter as ideias correctas é bom para a mente.
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