Confirmo a assustadora teoria de que enquanto seres humanos é impossível identificarmos as coisas que nunca faríamos.
Não dá.
Efectivamente não dá. Nós imaginamos um cenário e uma série de acontecimentos e prevemos a nossa reacção conforme o que conhecemos de nós sendo mais fácil dizer o que eramos incapazes de fazer.
Agora, mesmo que algum dia realmente essa situação acontecesse igualzinha ao que tinhamos projectado na nossa cabeça, as pessoas, o sítio, o tempo e afins ( note-se a improbabilidade disto) nós enquanto um todo não seríamos a mesma pessoa que tinha projectado aquele cenário. Não estou a dizer que estamos constantemente a mudar de personalidade e a alterar as características mas o facto é que somos extremamente mutáveis. Mutáveis simplesmente porque estamos em contacto com o mundo. De dia para dia, com todo esse contacto, nós alteramos e moldamos a nossa mente. E imperceptivelmente atitudes, visões, medos, sentimentos e aspirações acompanham o dia a dia, agarram-se e soltam-se. Há dias em que há um maior impulso tipo um jacto de super cola e uma destas agarram-se firmemente, mas na maioria das vezes o agarranço é leve e efémero. Pode, contudo, surgir um padrão que pela persistência vai escavando a sua forma, até que simplesmente encaixa e o agarranço deixa de ser necessário.
Vagueei um pouco. O meu ponto era a impossibilidade de previsões comportamentais em situações tipo, era isso.
Contudo e não contrariando tudo o que disse anteriormente...
É absolutamente necessário que tenhamos presente o que nunca faríamos e que pensamos e mesmo que exponhamos os nossos "Eu nunca", "Eu não era capaz", "Eu não ia suportar".
Invoco como defesa desta teoria a sanidade mental. E chega. Os agarranços implicam algo para agarrar, não querem superficíes lisas e escorregadias querem relevos e ângulos. Tem de haver uma construção mental harmoniosa com uma arquitectura equilibrada que facilitará ou dificultará as diferentes mudanças e adaptações. Sem construção mental ou com uma construçao mal feita, há bastante desequílibrio e mais imprevisibilidade e mais irracionalidade.
Só ontem estive perante 3 situações em que o "eu nunca" esteve presente e para dar o exemplo garanto-vos :
- Eu nunca usaria uma pessoa para atingir determinada posição, enganado-a e deixando-a na miséria.
- Eu nunca arriscaria a minha vida desnecessariamente.
- Eu nunca mataria sem ser com propósitos de defesa, da minha vida ou de outros.
E isto está na minha arquitectura.
P.S. Este tópico é delicado porque mexe mesmo com a minha construção mental.
Perdoem a confusão.
Sem comentários:
Enviar um comentário