domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu, a tal gravidade, e pronto


Surgiu há algum tempo uma vontade em mim que descrevi como "cair de um sítio para outro" mas tenho-a conseguido detalhar um pouco mais já que ela teima em primar na assiduidade.
Concluí que o sítio em que que terminaria a queda não podia ser duro nem me magoar. Pensei na minha obsessão por cascatas mas o barulho e ficar molhada não pareceu encaixar na minha ânsia. Também não quero colchões de plástico e assim. Uma esponja gigante ou... esferovite, era mais isso.
Depois pensei que não queria ter de saltar, eu tenho alguns problemas com qualquer tipo de saltos seja de muros seja para a piscina. Queria que desaparecesse o chão de repente como acontecia aos bonequinhos quando jogava na gameboy, só que adaptando à realidade soou-me um pouco às execuções em que se abria aquela porta de madeira e a pessoa era enforcada.
Também tinha de demorar um pouco, dar tempo para realizar que estava a cair, e que não ia morrer e que era lindo. Se eu pudesse até dava passos no par como se tivesse com cordas invísíveis tipo marionetas, mas isso reduziria a minha ideia de liberdade.


Ter vontades destas não é aconselhável na medida que talvez sejam um pouco impraticáveis.

O cerne da questão é que me anda a fazer bastante impressão, chegando a ser incómodo e aflitivo ter sempre tijoleira debaixo dos pés, uma cadeira para suportar o rabinho e um colchão a suportar o corpo.




E como é que se resolve isto?




Não conta passear na lama, sentar num ramo de uma árvore ou dormir no jardim. ( embora confesso que alinhava nestas situações).




Pois.


Não perdendo a esperança provavelmente terei de contentar parte do meu desejo contacto directo com a gravidade com uma queda nas escadas da minha avó, ou mais confortavelmente esperarei pela Primavera e possíveis cachoeiras.

2 comentários:

  1. "Realizei" (sim, já encaro este vocábulo como sendo marca do teu discurso) que tenho um puff cá em casa que era ideal para amortecer a queda desse tipo de experiências :)


    (...os ursos polares podem empurrar)

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  2. Gostei! Interessante e contraditório, a maioria das pessoas tem o desejo de voar para se sentirem livres, tu pelo contrario tens o desejo de viver uma aventura onde ser largada é o modo de partida como se te faltasse um pouco de coragem para começar, viver intensamente esses momentos incontroláveis mas ter a garantia de que acabaria tudo bem sem que algum mal pudesse vir daí. Como é interessante que o desejo de mudança é mostrado das mais variadas formas...

    Ganha coragem e atira-te!!

    PS: Provavelmente estou completamente errado em relação aos motivos que te levaram a escrever este teu desejo, de qualquer maneira fez-me pensar em coisas que não passavam na minha cabeça à uns tempos.

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